
Antigamente a gente lutava para derrubar o sistema. Hoje, quando o sistema cai, todos ficam loucos.
Há tempos observo como o mundo funciona. Já parou para pensar nisso? Em como tudo, mas TUDO funciona? De como você e eu somos parte de algo gigantesco e do qual ignoramos?
Trabalho no aeroporto e vejo o sobe e desce de aviões, e penso no que é necessário para manter tudo funcionando, cada aeronave que pousa como o elo de uma corrente de aviões que sobrevoam nossas cabeças, e nem nos damos conta. De como cada pessoa que trabalha, e cada pessoa que que chega e que parte é parte desta cadeia, deste sistema. E de que é parte de outros sistemas a estes interligados.
Mas as luzes só estão focalizadas nos top of the tops e ignoramos totalmente os pequenos detalhes, os faxineiros, lixeiros, arrumadeiras, cozinheiros, atendentes. Um exército de pessoas que nas ruas, prédios e subterrâneos, mantém a ordem em um país supostamente caótico.
Outro dia assisti um documentário, algo como "O Mundo sem Ninguém". Como o nome indicou, me foi mostrado como a realidade artificial que criamos ficaria depois de alguns milhares de anos sem manutenção. Nada sobra sem os devidos cuidados, excluindo as Pirâmides, sem o trabalho dos invisíveis.
Sempre lutei para ser cioso de meu papel nesta intrincada máquina e não ser diminuído. E uma forma de agregar valor é ter consciência de que não sou uma peça, um peão, mas alguém vivo e dotado de história, de algo a preservar e transmitir. De ser parte integrante dos 10.000 anos de existência da humanidade.
São pensamentos assim que me deixam acordado à noite.