terça-feira, 29 de julho de 2008

Retaguarda



Sabe aqueles momentos em que se precisa de alguém para apoiar seus sonhos loucos? É muito bom quando isto acontece, não? Quando se tem uma viva alma para dizer "eu acredito. Vamos nessa".


Porque as coisas são assim, mesmo. Se as pernas fraquejam e o peso é demais sob os ombros, e as lágrimas brotam, cara, uma mão amiga é a bóia salva-vidas.

Não raro também somos solicitados a dar esta ajuda, este amparo. Você não imagina o quanto é importante. Não se negue.

domingo, 20 de julho de 2008

Hermes 3000



Quem me conhece das baladas de 15 anos atrás (caraca, faz tempo) sabe que gosto muito de escrever. O blog não é minha primeira experiência nesta arte, pois seu fanzinava também. E caso este verbo não exista, acabei de criar. Será que podia?

Retomando... eu sempre gostei de escrever mas não achava meios de divulgar meus pensamentos. Foi quando descobri o fanzine Rosa Negra, confeccionado por Nene Altro. Meu, são coisas do arco-da-velha! O curioso é que este nome me surgiu agora. Nem ia citar o Nene, pois me faltavam informações. Daí pensei: será que ele está no Orkut? E não é que tava?!?

A capacidade de publicar minhas idéias e ter quem lê-las me auxiliou em muito, pois não domino qualquer outra expressão artística. Minhas cobaias eram, principalmente meus amigos do Bar do Alemão e, posteriormente, do Bar do Zé.

Para tanto eu utilizava uma velha máquina de escrever, minha Hermes 3000. Às vezes sinto falta dos tecs-tecs do tipo no papel e do cheiro de óleo, de procurar imagens em jornais velhos e da cola na ponta dos dedos. Do trabalho de diagramação e do entregar em mão.

Lembro que meu primeiro número tinha como capa a revolução em Chiapas, no México. Era ano-novo de 1994. De lá pra cá os assuntos foram do macro para o micro. Das coisas que eu via até os fatos que presenciava por outros meios de comunicação.

Muita gente que encontro na rua, passado tanto tempo, ainda pergunta se eu escrevo. Daí passo o endereço do Blog. Mas não é a mesma coisa, admito. Deve ser a volatividade do suporte, a dificuldade de guardar o blog dentro de um livro, abri-lo anos depois e ter as sensações de outrora. Pelo Divino, quanto saudosismo!!! Hahahahahaha!

O Grande Nada Zine (era assim seu nome) também me deu ferramentas para manter contato com pessoas de outras cidades pelo correio, algo que o MSN, Google Talk e afins só possibilitariam anos depois. Ainda guardo todas as cartas que recebi. Provavelmente meus destinatários fizeram o mesmo.

Uma parte mim, a melhor expressão do que sou, tenho esta certeza, ficou para a posteridade. E espero ter inspirado alguém nesta minha busca individual pela exposição daquilo que sinto.

sábado, 12 de julho de 2008

Patriarcas




Engraçado... Sempre que andava pelo Centro de Sampa, da rua Direita para o Teatro Municipal, à sombra do Patriarca, nunca entrava pelo buraco da terra. E vocês, já desceram pelo boulevard?

Lá encontrei outro patriarca, mas dos judeus, cristãos e muçulmanos. Moisés da sarça ardente, da viagem pelo deserto, do parar na porta da Terra Prometida e não entrar, coitado.

O legal foi ver nele os chifrinhos. É, pagãos chifrinhos! Símbolos de poder para quem manja de iconologia. Escultura assim com estas características, li certa vez, existe em Londres também.

Mudar os caminhos sempre me trouxe surpresas.

domingo, 6 de julho de 2008

Camisetas



Já observou que as camisetas de hoje não dizem nada? São apenas um emaranhado de imagens desconexas e textos tipo frango-assado: sem pé nem cabeça. Mas sua
história revela fatos intrigantes onde o fato dela simplesmente estar à mostra era considerado uma transgressão.

A camiseta nasceu como uma cueca ou calcinha: uma peça íntima masculina a se usar por baixo das camisas sociais e absorver o suor do dia. Portanto expô-la a visão pública era algo de mal-gosto.

Mas após os anos 50 começou o desbunde e o deboche dos jovens contra a cultura reinante. E com eles a vontade de mostrar seu íntimo. Uma imagem forte é a camiseta branca de James Dean no filme "Juventude Transviada (1955)" por debaixo da camisa aberta, exposta. Operários e outros já a usavam assim durante seu dia de trabalho, mas por causa do esforço e temperatura do que para chamar a atenção.

Anos depois o movimento hippie americano adota a camiseta como estandarte e outdoor contra a guerra, pelo meio ambiente ou qualquer outra bandeira de luta. Outros movimentos, como o punk e o metal usaram este mesmo veículo para expor idéias e ídolos pelas ruas das grandes cidades.

Mas observando o hoje vemos que esta função se perdeu. As imagens são tão desconexas, vazias, mostrando somente um apanhado de palavras em inglês, parecendo pixações em muros. Quem quer algo mais profundo tem que garimpar bastante, ou mandar fazer. Ou por as mãos na tinta e fazer sua própria estampa... Boa idéia, hein?