sábado, 2 de agosto de 2008

Sistemas




Antigamente a gente lutava para derrubar o sistema. Hoje, quando o sistema cai, todos ficam loucos.

Há tempos observo como o mundo funciona. Já parou para pensar nisso? Em como tudo, mas TUDO funciona? De como você e eu somos parte de algo gigantesco e do qual ignoramos?

Trabalho no aeroporto e vejo o sobe e desce de aviões, e penso no que é necessário para manter tudo funcionando, cada aeronave que pousa como o elo de uma corrente de aviões que sobrevoam nossas cabeças, e nem nos damos conta. De como cada pessoa que trabalha, e cada pessoa que que chega e que parte é parte desta cadeia, deste sistema. E de que é parte de outros sistemas a estes interligados.

Mas as luzes só estão focalizadas nos top of the tops e ignoramos totalmente os pequenos detalhes, os faxineiros, lixeiros, arrumadeiras, cozinheiros, atendentes. Um exército de pessoas que nas ruas, prédios e subterrâneos, mantém a ordem em um país supostamente caótico.

Outro dia assisti um documentário, algo como "O Mundo sem Ninguém". Como o nome indicou, me foi mostrado como a realidade artificial que criamos ficaria depois de alguns milhares de anos sem manutenção. Nada sobra sem os devidos cuidados, excluindo as Pirâmides, sem o trabalho dos invisíveis.

Sempre lutei para ser cioso de meu papel nesta intrincada máquina e não ser diminuído. E uma forma de agregar valor é ter consciência de que não sou uma peça, um peão, mas alguém vivo e dotado de história, de algo a preservar e transmitir. De ser parte integrante dos 10.000 anos de existência da humanidade.

São pensamentos assim que me deixam acordado à noite.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Retaguarda



Sabe aqueles momentos em que se precisa de alguém para apoiar seus sonhos loucos? É muito bom quando isto acontece, não? Quando se tem uma viva alma para dizer "eu acredito. Vamos nessa".


Porque as coisas são assim, mesmo. Se as pernas fraquejam e o peso é demais sob os ombros, e as lágrimas brotam, cara, uma mão amiga é a bóia salva-vidas.

Não raro também somos solicitados a dar esta ajuda, este amparo. Você não imagina o quanto é importante. Não se negue.

domingo, 20 de julho de 2008

Hermes 3000



Quem me conhece das baladas de 15 anos atrás (caraca, faz tempo) sabe que gosto muito de escrever. O blog não é minha primeira experiência nesta arte, pois seu fanzinava também. E caso este verbo não exista, acabei de criar. Será que podia?

Retomando... eu sempre gostei de escrever mas não achava meios de divulgar meus pensamentos. Foi quando descobri o fanzine Rosa Negra, confeccionado por Nene Altro. Meu, são coisas do arco-da-velha! O curioso é que este nome me surgiu agora. Nem ia citar o Nene, pois me faltavam informações. Daí pensei: será que ele está no Orkut? E não é que tava?!?

A capacidade de publicar minhas idéias e ter quem lê-las me auxiliou em muito, pois não domino qualquer outra expressão artística. Minhas cobaias eram, principalmente meus amigos do Bar do Alemão e, posteriormente, do Bar do Zé.

Para tanto eu utilizava uma velha máquina de escrever, minha Hermes 3000. Às vezes sinto falta dos tecs-tecs do tipo no papel e do cheiro de óleo, de procurar imagens em jornais velhos e da cola na ponta dos dedos. Do trabalho de diagramação e do entregar em mão.

Lembro que meu primeiro número tinha como capa a revolução em Chiapas, no México. Era ano-novo de 1994. De lá pra cá os assuntos foram do macro para o micro. Das coisas que eu via até os fatos que presenciava por outros meios de comunicação.

Muita gente que encontro na rua, passado tanto tempo, ainda pergunta se eu escrevo. Daí passo o endereço do Blog. Mas não é a mesma coisa, admito. Deve ser a volatividade do suporte, a dificuldade de guardar o blog dentro de um livro, abri-lo anos depois e ter as sensações de outrora. Pelo Divino, quanto saudosismo!!! Hahahahahaha!

O Grande Nada Zine (era assim seu nome) também me deu ferramentas para manter contato com pessoas de outras cidades pelo correio, algo que o MSN, Google Talk e afins só possibilitariam anos depois. Ainda guardo todas as cartas que recebi. Provavelmente meus destinatários fizeram o mesmo.

Uma parte mim, a melhor expressão do que sou, tenho esta certeza, ficou para a posteridade. E espero ter inspirado alguém nesta minha busca individual pela exposição daquilo que sinto.

sábado, 12 de julho de 2008

Patriarcas




Engraçado... Sempre que andava pelo Centro de Sampa, da rua Direita para o Teatro Municipal, à sombra do Patriarca, nunca entrava pelo buraco da terra. E vocês, já desceram pelo boulevard?

Lá encontrei outro patriarca, mas dos judeus, cristãos e muçulmanos. Moisés da sarça ardente, da viagem pelo deserto, do parar na porta da Terra Prometida e não entrar, coitado.

O legal foi ver nele os chifrinhos. É, pagãos chifrinhos! Símbolos de poder para quem manja de iconologia. Escultura assim com estas características, li certa vez, existe em Londres também.

Mudar os caminhos sempre me trouxe surpresas.

domingo, 6 de julho de 2008

Camisetas



Já observou que as camisetas de hoje não dizem nada? São apenas um emaranhado de imagens desconexas e textos tipo frango-assado: sem pé nem cabeça. Mas sua
história revela fatos intrigantes onde o fato dela simplesmente estar à mostra era considerado uma transgressão.

A camiseta nasceu como uma cueca ou calcinha: uma peça íntima masculina a se usar por baixo das camisas sociais e absorver o suor do dia. Portanto expô-la a visão pública era algo de mal-gosto.

Mas após os anos 50 começou o desbunde e o deboche dos jovens contra a cultura reinante. E com eles a vontade de mostrar seu íntimo. Uma imagem forte é a camiseta branca de James Dean no filme "Juventude Transviada (1955)" por debaixo da camisa aberta, exposta. Operários e outros já a usavam assim durante seu dia de trabalho, mas por causa do esforço e temperatura do que para chamar a atenção.

Anos depois o movimento hippie americano adota a camiseta como estandarte e outdoor contra a guerra, pelo meio ambiente ou qualquer outra bandeira de luta. Outros movimentos, como o punk e o metal usaram este mesmo veículo para expor idéias e ídolos pelas ruas das grandes cidades.

Mas observando o hoje vemos que esta função se perdeu. As imagens são tão desconexas, vazias, mostrando somente um apanhado de palavras em inglês, parecendo pixações em muros. Quem quer algo mais profundo tem que garimpar bastante, ou mandar fazer. Ou por as mãos na tinta e fazer sua própria estampa... Boa idéia, hein?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

E em São Paulo, 13° C.




Voltar para casa nestas noites de Inverno não é bolinho! O frio é cortante por causa das rajadas de vento, coisa de louco! E 13° é fichinha, pois já houve noites e manhãs com até dez ou 9°C!!!

Confesso que não gosto muito do frio, preferindo quarenta graus à sombra. Afinal, é só desabotoar a camisa, por bermuda e chinelos. Como sou magrelo e perco calor facinho, sofro em temperaturas abaixo dos 21, por incrível que pareça.

Ah, sim! e o sol!!! Esse papo de dias cinzas é legal para deixar a alma triste e ter inspiração para blogar. Mas nada como uma volta no parque numa manhã de céu azul e astro-rei a pino. Supõe-se que países industrializados, de clima frio, onde as noites são longas e o dias escuros, tem-se uma taxa de suicídio alarmante devido a influência do meio sobre o psíquico das pessoas. Será? Não duvido.

Do mar não sinto falta, esta imagem imediata quando se fala em sol e calor no Brasil. Mas das altas temperaturas do verão eu não quero me separar tão cedo!!!

sábado, 21 de junho de 2008

São Paulo é outra idéia...



Caminhar por Sampa é outra idéia... São tantos tipos diferentes, gentes que não andariam por Guarucity sem passar incógnitos.
Pelas ruas tem punks, góticos, casais gays, gente apressada para ir ou voltar do trampo ou escola. No aeroporto, gringos aos montes: nigerianos, judeus ortodoxos, árabes, americanos, franceses... Cada um com um estilo de vestir, pentear e falar em uma coexistência mais ou menos harmoniosa.

Muitas vezes penso em viver fora da Grande SP, mas ao mesmo tempo sou viciado em passear por entre os grandes prédios e viadutos, de dia ou de noite. Talvez eu me mude quando for mais velho, quem sabe.

De ônibus, trem, metrô ou a pé, observo as pessoas, o que falam entre elas sobre si, sobre as outras pessoas e a coisas que vêem. São tantas realidades diferentes!!!

Se prestar bem atenção, e aí vai um exercício legal para se fazer, muitas respostas que se procura são possíveis de captar assim, no ar, através dos diálogos de outros. Um autêntico "a voz do povo é a voz de Deus" Rs! Experimente.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Aniversários, datas comemorativas em geral...



Sou um inepto para datas, admito. Esqueci aniversários e datas comemorativas importantes durante boa parte de minha vida adulta. Até meus aniversários eu meio que esqueço!!!

A questão é que o povo fica magoado com isso, né? Dia dos Namorados, aniversário de mãe, de irmãos, dia das Mães... As datas simplesmente voam por mim. Lógico que minhas explicações não são aceitas, mas são válidas ao menos para mim.

Fui Testemunha de Jeová durante uma boa parte de minha vida e, entre os seus membros a comemoração de datas assim não são bem aceitas pois configuram adoraçao, uma forma de culto que não é destinada a Deus, mas às pessoas.

Quando deixei a religião e gradativamente fui ingressando na vida adulta, envolvi-me com política e com a esquerda em Guarulhos. E o pensamento no meio é que datas como estas tem o "ranço burguês".

Além do quê, como membro de uma família pobre, as datas nem sempre vinham acompanhadas de presentes, o que me frustrava quando criança. Aos poucos fui criando um coração de teflon para estas coisas só para não ficar triste com o fato de não ter minha bike toda vez que passava de ano. Coração de teflon... podia ser nome de um som punk romântico (rs!).

É uma resistência a qual eu me acostumei mas que a sociedade a minha volta pede para quebrar. Bem, vou me esforçar.

domingo, 8 de junho de 2008

Belezas



Uma visita feita a exposição de arte com sucata me fez refletir sobre a beleza e o conceito que temos dela. Na foto acima temos uma escultura feita em material que geralmente chamamos de sucata na melhor das hipóteses. E lixo nas piores. No entanto os componentes, quando adequadamente montados, com a placa de identificação apropriada, luz certa, no ambiente chique que é um shopping a perspectiva muda.

Aquilo que antes eu nem dava importância hoje eu gosto, e coisas que me chamavam atenção agora passam batido. Deve ser o processo natural de amadurecimento, onde selecionamos as coisas e pessoas conforme nossas necessidades imediatas. Porém, como nossas necessidades mudam, e aprendemos com elas, os critérios os acompanham.

Falando ainda sobre esculturas e sucata, lembrei do David, a obra máxima de Michelangelo. Reza a lenda que o escultor renacentista recebeu o trabalho após outro escultor realizar uma série de erros na pedra virgem. Muitos achavam o material condenado. Mas muito é possível para pessoas de visão ao que parece.

Tudo depende do ângulo que vemos as pessoas e seres. A beleza está aí, bastando apenas olhar.

Post scriptum
Minha companheira de blogagens, a Mara, postou coisas interesantes sobre a beleza e sua busca. Confira.

domingo, 1 de junho de 2008

Outros (sobre)viventes


Falei (escrevi) anteriormente sobre as árvores que se sustentam na ponte da Bandeirantes mas nem falei dos que moram sob ela. Há uma família que mora lá faz algum tempo: marido, esposa, duas crianças, além de outras pessoas que se reúnem ali para se aquecerem na fogueira.

Durante o ano de 2001, eu acho, fiz parte de um grupo de amigos que faziam sopões e distribuíam para moradores de rua em Guarulhos. Oficina da Vida era seu nome, e é estranho eu lembrar disto agora, pois achava que estava enterrado em algum lugar de meu cérebro.

Sempre atendíamos pessoas sozinhas, sem família, geralmente nascidas fora da cidade ou mesmo do estado. Creio que o caráter da miséria em minha cidade se difere à do centro de Sampa porque aqui em Guarucity, quando o cara arruma família ele simplesmente se muda para a periferia, ocupando áreas públicas ou privadas, ou comprando barracos.

Para o morador de São Paulo, com cada metro quadrado ocupado, talvez morar longe não seja atraente. Além do quê, pode haver outros componentes nesta fórmula.

Muitos não chegam as ruas mas nascem nelas, como essas mesmas crianças que, vez ou outra, aparecem na lanchonete pedindo trocados. Habituam-se então a ter aquela como sua vizinhança, estabelendo assim laços com o local, mesmo que as pessoas que moram ali, os "integrados" na sociedade.

Ainda penso nas crianças que vejo pela janela da escola. Uma vida de mendicância em tão tenra idade, pelo Divino! Comparo-as com meus sobrinhos, e como as mães deles se preocupam com seu bem-estar, fazendo coisas triviais como não lhe largar as mãos enquanto caminham nas ruas e, nem em caso de emergência, deixa-las soltas à noite entre estranhos.

No entanto ali vejo dois meninos vivendo entre carros e desconhecidos, expostos. Pensamentos assim escurecem meu coração. Uma árvore desde seu nascimento é preparada para sozinha resolver seus dilemas de sobrevivência. Nós seres humanos somos mais frágeis: não resistimos muito tempo no calor ou frio intensos, sem água ou comida por muito tempo, ou apartados do meio social. No entanto ali, sob a ponte, uma sociedade se faz em separado, marginal.

O encontro destes dois mundos nem sempre é harmonioso, mas regrado por relações de poder e violência, aberta ou veladamente. Em nome da sobrevivência faríamos e fazemos coisas que emergem aquilo que há de pior no humano. Pensamentos assim me deixam sombrio à noite.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Não, não morri ainda! Rs!




Tenho mesmo é ficado um bom tempo trabalhando, estudando, no ócio ou no Playstation 2. E não tenho visto muita coisas "uau" para dizer.


Tive também um cibertombo em outro blog, religioso, que me deu um certo temor dos teclados. Gente que leu tudo o que escrevi só para me descer o couro. É desestimulante, pois o combustível do blogueiro são os comentários (Mara que o diga).

Mas acho que posso falar das trivialidades enquanto não travo contatos imediatos com civilizações extraterrenas ou similares.

Bem...

Uma trivialidade faz parte do meu caminho quando atravesso a Ponte dos Bandeirantes, indo para escola. Ali, no vão de concreto, suspenso a grande altura, exposta à poluição, sol implacável, vibrações e outras agressões, quase sem solo e com pouca água, uma pequena árvore resiste. Arbustos são coisas mais ou menos comuns nas ruas, mas admito que quando dei por mim tive que parar para observar melhor como ela se equilibra naquela situação precária.

E ali, parado ao sol, dei-me conta de que certas coisas não são fáceis de se conseguir ou manter. Não sei qual a espécie que nasce ali, nem como a semente foi parar em lugar tão inóspito, mas é um ato heróico que aquela árvore faz naturalmente.

É um lugar onde gosto de parar um pouco quando passo atualmente, principalmente no finzinho da tarde, para ver o pôr-do-sol. Em certos momentos da semana me sinto como a árvore ali, espremida pelo concreto, sob o sol. Mas se ela pode, eu posso.

E sigo em frente.