sexta-feira, 27 de junho de 2008

E em São Paulo, 13° C.




Voltar para casa nestas noites de Inverno não é bolinho! O frio é cortante por causa das rajadas de vento, coisa de louco! E 13° é fichinha, pois já houve noites e manhãs com até dez ou 9°C!!!

Confesso que não gosto muito do frio, preferindo quarenta graus à sombra. Afinal, é só desabotoar a camisa, por bermuda e chinelos. Como sou magrelo e perco calor facinho, sofro em temperaturas abaixo dos 21, por incrível que pareça.

Ah, sim! e o sol!!! Esse papo de dias cinzas é legal para deixar a alma triste e ter inspiração para blogar. Mas nada como uma volta no parque numa manhã de céu azul e astro-rei a pino. Supõe-se que países industrializados, de clima frio, onde as noites são longas e o dias escuros, tem-se uma taxa de suicídio alarmante devido a influência do meio sobre o psíquico das pessoas. Será? Não duvido.

Do mar não sinto falta, esta imagem imediata quando se fala em sol e calor no Brasil. Mas das altas temperaturas do verão eu não quero me separar tão cedo!!!

sábado, 21 de junho de 2008

São Paulo é outra idéia...



Caminhar por Sampa é outra idéia... São tantos tipos diferentes, gentes que não andariam por Guarucity sem passar incógnitos.
Pelas ruas tem punks, góticos, casais gays, gente apressada para ir ou voltar do trampo ou escola. No aeroporto, gringos aos montes: nigerianos, judeus ortodoxos, árabes, americanos, franceses... Cada um com um estilo de vestir, pentear e falar em uma coexistência mais ou menos harmoniosa.

Muitas vezes penso em viver fora da Grande SP, mas ao mesmo tempo sou viciado em passear por entre os grandes prédios e viadutos, de dia ou de noite. Talvez eu me mude quando for mais velho, quem sabe.

De ônibus, trem, metrô ou a pé, observo as pessoas, o que falam entre elas sobre si, sobre as outras pessoas e a coisas que vêem. São tantas realidades diferentes!!!

Se prestar bem atenção, e aí vai um exercício legal para se fazer, muitas respostas que se procura são possíveis de captar assim, no ar, através dos diálogos de outros. Um autêntico "a voz do povo é a voz de Deus" Rs! Experimente.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Aniversários, datas comemorativas em geral...



Sou um inepto para datas, admito. Esqueci aniversários e datas comemorativas importantes durante boa parte de minha vida adulta. Até meus aniversários eu meio que esqueço!!!

A questão é que o povo fica magoado com isso, né? Dia dos Namorados, aniversário de mãe, de irmãos, dia das Mães... As datas simplesmente voam por mim. Lógico que minhas explicações não são aceitas, mas são válidas ao menos para mim.

Fui Testemunha de Jeová durante uma boa parte de minha vida e, entre os seus membros a comemoração de datas assim não são bem aceitas pois configuram adoraçao, uma forma de culto que não é destinada a Deus, mas às pessoas.

Quando deixei a religião e gradativamente fui ingressando na vida adulta, envolvi-me com política e com a esquerda em Guarulhos. E o pensamento no meio é que datas como estas tem o "ranço burguês".

Além do quê, como membro de uma família pobre, as datas nem sempre vinham acompanhadas de presentes, o que me frustrava quando criança. Aos poucos fui criando um coração de teflon para estas coisas só para não ficar triste com o fato de não ter minha bike toda vez que passava de ano. Coração de teflon... podia ser nome de um som punk romântico (rs!).

É uma resistência a qual eu me acostumei mas que a sociedade a minha volta pede para quebrar. Bem, vou me esforçar.

domingo, 8 de junho de 2008

Belezas



Uma visita feita a exposição de arte com sucata me fez refletir sobre a beleza e o conceito que temos dela. Na foto acima temos uma escultura feita em material que geralmente chamamos de sucata na melhor das hipóteses. E lixo nas piores. No entanto os componentes, quando adequadamente montados, com a placa de identificação apropriada, luz certa, no ambiente chique que é um shopping a perspectiva muda.

Aquilo que antes eu nem dava importância hoje eu gosto, e coisas que me chamavam atenção agora passam batido. Deve ser o processo natural de amadurecimento, onde selecionamos as coisas e pessoas conforme nossas necessidades imediatas. Porém, como nossas necessidades mudam, e aprendemos com elas, os critérios os acompanham.

Falando ainda sobre esculturas e sucata, lembrei do David, a obra máxima de Michelangelo. Reza a lenda que o escultor renacentista recebeu o trabalho após outro escultor realizar uma série de erros na pedra virgem. Muitos achavam o material condenado. Mas muito é possível para pessoas de visão ao que parece.

Tudo depende do ângulo que vemos as pessoas e seres. A beleza está aí, bastando apenas olhar.

Post scriptum
Minha companheira de blogagens, a Mara, postou coisas interesantes sobre a beleza e sua busca. Confira.

domingo, 1 de junho de 2008

Outros (sobre)viventes


Falei (escrevi) anteriormente sobre as árvores que se sustentam na ponte da Bandeirantes mas nem falei dos que moram sob ela. Há uma família que mora lá faz algum tempo: marido, esposa, duas crianças, além de outras pessoas que se reúnem ali para se aquecerem na fogueira.

Durante o ano de 2001, eu acho, fiz parte de um grupo de amigos que faziam sopões e distribuíam para moradores de rua em Guarulhos. Oficina da Vida era seu nome, e é estranho eu lembrar disto agora, pois achava que estava enterrado em algum lugar de meu cérebro.

Sempre atendíamos pessoas sozinhas, sem família, geralmente nascidas fora da cidade ou mesmo do estado. Creio que o caráter da miséria em minha cidade se difere à do centro de Sampa porque aqui em Guarucity, quando o cara arruma família ele simplesmente se muda para a periferia, ocupando áreas públicas ou privadas, ou comprando barracos.

Para o morador de São Paulo, com cada metro quadrado ocupado, talvez morar longe não seja atraente. Além do quê, pode haver outros componentes nesta fórmula.

Muitos não chegam as ruas mas nascem nelas, como essas mesmas crianças que, vez ou outra, aparecem na lanchonete pedindo trocados. Habituam-se então a ter aquela como sua vizinhança, estabelendo assim laços com o local, mesmo que as pessoas que moram ali, os "integrados" na sociedade.

Ainda penso nas crianças que vejo pela janela da escola. Uma vida de mendicância em tão tenra idade, pelo Divino! Comparo-as com meus sobrinhos, e como as mães deles se preocupam com seu bem-estar, fazendo coisas triviais como não lhe largar as mãos enquanto caminham nas ruas e, nem em caso de emergência, deixa-las soltas à noite entre estranhos.

No entanto ali vejo dois meninos vivendo entre carros e desconhecidos, expostos. Pensamentos assim escurecem meu coração. Uma árvore desde seu nascimento é preparada para sozinha resolver seus dilemas de sobrevivência. Nós seres humanos somos mais frágeis: não resistimos muito tempo no calor ou frio intensos, sem água ou comida por muito tempo, ou apartados do meio social. No entanto ali, sob a ponte, uma sociedade se faz em separado, marginal.

O encontro destes dois mundos nem sempre é harmonioso, mas regrado por relações de poder e violência, aberta ou veladamente. Em nome da sobrevivência faríamos e fazemos coisas que emergem aquilo que há de pior no humano. Pensamentos assim me deixam sombrio à noite.