domingo, 28 de outubro de 2007

PRIMEIRAS CHUVAS



Ultimamente presto muita atenção a esse fenômenos, sabe? É um meio de me ligar ao mundo, e não ser apenas mais um andando por aí. E voltava do curso de inglês numa tarde de sábado, no lotação rumo à minha casa, quando sinto o sol se esconder entre as sombras. Olho ao céu e vejo uma grande nuvem nimbus, com as bordas parecendo retalhos de uma roupa violentamente rasgada, girando em torno do próprio eixo numa dança lenta e gigantesca. Acho que meu queixo caiu naquele momento.


Não que nunca tenha visto aquilo antes, mas é fato que não chovia forte a semanas e o que via naquele momento era uma demonstração de força da parte do verão que se aproxima mais e mais. Com o fundo cinza e uniforme atrás de si, aquela solitária nuvem era o arauto do forte pé-d'água que viria.

E não tardou. Um mundo embaçado formou-se lá fora, composto de pessoas nas calçadas, fantasmagóricas. Algumas se espremiam sob os pontos de ônibus, e maquises de lojas fechadas. Quem tinha sorte achava algum comércio a meia-porta para se abrigar. Os que saiam do lotação e vieram desprevenidos, pensavam duas vezes no desembarque. Olhei para o meu guarda-chuva e me senti um pouco rei, um pouco mago.

Após o golpe inicial, fortíssimo, a chuva amainara. Mas somente o espaço para recarregar eu sabia. Neste meio tempo cheguei no meu ponto e desci com algum conforto. Uma caminhada curta e já estava em casa novamente. No trajeto pensava nos rosto que vira, e como um evento tão comum nesta época do ano mudou um pouco o rumo daquelas vidas. Pessoas que, aproveitando o fim de semana, saíam para baladas ou visitas, ou pra o trabalho ou vinham dele. Como tiveram o curso normal e rotineiro de suas vidas abalado.

Para o bem ou para o mal.

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